La mujer escribe y eso es lo que importa










3 de diciembre de 2016

Lisel Mueller, 2 poemas 2



Collage de Eugenia Loli



FAMILIAS FELICES E INFELICES I

Si todas las familias felices son parecidas,
entonces lo son también las familias infelices,
cuyas vidas celebramos
porque se mueven y son cálidas,
porque son lo que pensamos que es la vida.
Alguien está mintiendo y a alguien
le están mintiendo. Alguien es golpeado
y alguien más está dando los golpes.
Alguien está rezando, o llora
porque no sabe cómo rezar.
Alguien bebe toda la noche;
alguien se arrincona en las esquinas;
alguien amenaza y alguien suplica.
Amargas palabras en la mesa,
amargos sollozos en la habitación;
represalias respirando en el espejo del baño.
La casa cruje con secretos;
todos elaboran un plan de escape.
Alguien se hace añicos sin sonido alguno.
A veces uno de ellos deja la casa
en camilla, en terrible silencio.
¡Cuánta energía roba el sufrimiento!
Es como un fuego que quema y quema
pero no puede incendiar hasta la extinción.
Las familias infelices nunca son ociosas;
siempre se encuentran donde está la acción,
no como las otras, las felices,
que nunca levantan la voz
ni escupen sangre, que nunca hacen nada
para merecer su felicidad.

(Traducción por David Ruano González
extraída de: CÍRCULO DE POESÍA)



HAPPY AND UNHAPPY FAMILIES I

If all happy families are alike,
then so are the unhappy families,
whose lives we celebrate
because they are motion and heat,
because they are what we think of as life.
Someone is lying and someone else
is being lied to. Someone is beaten
and someone else is doing the beating.
Someone is praying, or weeps
because she does not know how to pray.
Someone drinks all night;
someone cowers in corners;
someone threatens and someone pleads.
Bitter words at the table,
bitter sobs in the bedroom;
reprisal breathed on the bathroom mirror.
The house crackles with secrets;
everyone draws up a plan of escape.
Somebody shatters without a sound.
Sometimes one of them leaves the house
on a stretcher, in terrible silence.
How much energy suffering takes!
It is like a fire that burns and burns
but cannot burn down to extinction.
Unhappy families are never idle;
they are where the action is,
unlike the others, the happy ones,
who never raise their voices
and spit no blood, who do nothing
to deserve their happiness.



FAMÍLIAS FELIZES E FAMÍLIAS INFELIZES I

Se todas as famílias felizes são iguais,
também o são todas as famílias infelizes,
cujas vidas celebramos
porque estão cheias de movimento e ardor,
porque elas são aquilo que pensamos que a vida é.
Alguém mente e alguém está a ser
vítima de mentira. Alguém é agredido
e alguém é o sujeito da agressão.
Alguém reza, ou chora
porque não sabe como rezar.
Alguém bebe durante a noite;
alguém se encolhe nos cantos;
alguém ameaça e alguém suplica.
Palavras azedas à mesa,
soluços amargos no quarto;
represálias surdas no espelho da casa de banho.
A casa estala com segredos;
todos preparam o seu plano de fuga.
Alguém se desmorona sem produzir um som.
Às vezes, alguém sai de casa
numa maca, num silêncio terrível.
Quanta energia gasta em sofrimento!
É como um fogo que arde sem parar
mas não consegue arder até ao ponto da sua extinção.
As famílias infelizes nunca são indolentes;
estão sempre em acção,
ao contrário das outras, as felizes,
aquelas em que nunca se levanta a voz
ou se cospe sangue, aquelas que nunca
fizeram nada para merecer a felicidade que têm.

Traducción al portugués de Luís Parrado



Collage de Eugenia Loli



THE STORY 

You are telling a story:
How Fire Toof^ Water to Wife

It's always like this, yousay,
opposites attract

They want to enter each other,
beone,
so he burns her as hard
as he can and she tries to drown him

It's called love at first
and doesn't hurt

but after a while she weeps
and says he is killingher,
he shouts that he cannot breathe
underwater—

Make up your own
ending, you say to the children,
and they will, they will '45 ..





A HISTÓRIA



Contas uma história:
Como o Fogo faz da Água a sua mulher

É sempre assim, dizes tu,
os opostos atraem-se

Desejam penetrar um no outro,
ser um,
assim ele queima-a com todas as forças
e ela procura afogá-lo

É o chamado amor à primeira vista
e não dói

mas passado algum tempo ela chora
e diz que ele está a destruí-la,
ele grita que não consegue respirar
debaixo de água -

Agora criem vós o vosso próprio
fim, dizes tu às crianças,
e elas assim farão, assim farão

Traducción al portugués de Luís Parrado




Lisel Mueller 
(Hamburgo, Alemania, 1924) 
Nacionalizada Estadounidense
de Alive together - new and selected poems
Louisiana State University Press, 
Baton Rouge, 1996 / Premio Pulitzer de Poesía 1997
para leer más en: OTRA IGLESIA ES IMPOSIBLE
y leer MÁS
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